Quem sou eu para julgar?!

quiriquiri (Falco sparverius) predando um tico-tico (Zonotrichia capensis) – Morro Redondo – RS – 12/2022.

Uma cena “forte” de predação, onde um quiri-quiri “arranca” um tico-tico do ninho (qual a diferença de uma possível cena de um sabiá devorando uma minhoca? Apenas conceitos preestabelecidos)…

Na ótica do tico-tico (imaginei enquanto assistia a cena do “crime”):
“Fui arrancado de meu lar. Falhei como mãe (ou pai), na continuidade de minha família, de forma que restaram três embriões em desenvolvimento e que amanhã serão apenas três ovinhos podres a servir de comida para um lagarto. Tudo isso devido à gula de um predador…”

Na visão do quiri-quiri:

Faço qualquer coisa para alimentar meus filhinhos, afinal eu sou o único responsável pela sua sobrevivência e pela continuidade da nossa família…

O que eu vi:

O quiri-quiri caçou o tico-tico que estava no ninho sob uma macega, levou-o para o alto de um galho, de onde tinha uma visão ampla para o caso de ter que se evadir. Depenou ele cuidadosamente e, feito isso, levou para outra árvore mais distante onde, no ninho, seus filhotes aguardavam famintos.

Reflexão:
É muito difícil julgar qualquer acontecimento, especialmente aqueles que envolvem vida e morte, sobretudo quando vemos apenas uma parte dos fatos…

(Fotografia feita no Sítio Flor e Osória – Morro Redondo – RS)

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