Fugindo do inverno boreal, desde a tundra do Ártico, esse maçarico pode chegar até o extremo Meridional da América do Sul (mais de 15.000 km), voando, às vezes, por dias a fio sem pousar.
Enfileirados nos mourões das cercas nas pradarias da Argentina e Uruguai, passam horas, ou até mesmo o dia todo, sob um sol de mais de 40°C, imóveis, apenas observando…
Embora as centenas (ou até milhares) de registros fotográficos de uma determinada espécie possam ser muito semelhantes, as observações nos remetem a reflexões que dependem de nosso “estado de espírito”, do conhecimento que temos (das espécies e de nós mesmos) e, enfim, do entendimento da nossa relação com o universo.
Certamente este maçarico provocou em mim uma grande reflexão no que diz respeito à minha e escala de prioridades, ao tempo e ao esforço que dedico a cada uma de minhas atividades…
Depois desta grande viagem migratória anual, esta magnífica ave, reserva, ainda, a maior parte do tempo para si, o que deve dar significado à sua existência e que, talvez, nem ela mesma consiga (ou precise) entender…
(Tatuada em meu corpo, para mim, esta imagem se torna imortal – Da expedição a Esteros del Iberá, 2023).


