Quando nos referimos a um animal “inteligente”, tudo o que fazemos é julgar a capacidade de este executar alguma tarefa que relacionamos à inteligência humana.
Estamos tão bitolados a isso, que não nos passa a possibilidade de existir uma forma de inteligência superior à nossa. Uma inteligência, por exemplo, como a das formigas que, sem fabricar plástico, sem construir automóveis, sem pavimentar estradas ou sem foguetes interplanetários, conseguem viver harmoniosamente em sociedade, gerir e controlar seu próprio lixo e, sobretudo, viver uma vida plena em sua essência.
Saíra-militar, saíra-de-lenço, soldadinho, saíra de gola…
Estamos tão presos ao nosso “universo humano” e aos nossos conceitos, que ao nos depararmos com algo que nos surpreende, pelas cores, pela beleza ou pela harmonia das formas, logo tratamos de relacionar com as coisas do nosso limitado universo.
Não seriamos nós, os maragatos, os militares ou os adeptos do lenço vermelho os imitadores da saíra e não o contrário?
Ou alguém de nós ainda acredita que a saíra “se veste” nestas cores pensando em imitar algum humano?
Por vezes tenho ficado parado, por horas a fio, admirando a beleza de um pássaro e agora, pensando na saíra, me dou conta de que jamais vi um pássaro, mesmo que por alguns segundos, admirando a beleza de um humano.
Longe de sermos modelo para os pássaros, para eles, lamentavelmente, somos nada mais do que um predador, a representação da morte e da destruição.
(Registro da ave feito no Hostel Mochileiros)

