Recém iniciado nesta empolgante “cachaça” que é a observação de aves, passei a “gastar” grande parte do dia pensando em conseguir registros de novas espécies.
Nascido e criado “no meio do mato”, as espécies que eu nunca havia observado quando criança me despertavam maior fascínio. Foi assim que, ao observar espécies publicadas no Wikiaves, fiquei maravilhado com uma postagem do Chincoã-de-bico-vermelho (wikiaves.com.br/3362649) publicada pelo Robson Czaban.
– Bingo!!!
– Tenho que registrar esta espécie!
Fiz um comentário no registro do Robson, externando meu entusiasmo em conhecer a espécie e ele, com seu bom humor, foi me dando o “veredito”:
– “Oi Leonildo. A primeira coisa que você precisa fazer é sair do RS. kkkkk. Esse bicho só tem na Amazônia”.
A seguir, trocamos algumas informações que me deram subsídios para “arranjar” uma viagem a trabalho no Amazonas e partir para a esperada primeira passarinhada.
Com a viagem programada “encima da hora”, difícil foi encontrar guia disponível, porém, depois de muitas tratativas consegui uma “brecha” na agenda da Eleonora (wikiaves.com.br/perfil_Eleonora ), por apenas um dia. Para registrar o chincoã, eu faria qualquer coisa, até mesmo sair do Rio Grande do Sul e ir a Manaus apenas para registrar uma espécie.
Com uma visita a um cliente em Itacoatiara no dia 18, viajei para Manaus no dia 16, de forma que estaria pronto para acordar de madrugada no dia 17 para, num primeiro momento, visitar a torre do MUSA. Nem precisa dizer que quase não consegui dormir, tamanha era a ansiedade.
Chegando ao MUSA, deslumbrado, subi a torre e às 7:35hs registrava meu primeiro lifer, o saí-azul, espécie nada exclusiva da Amazônia, pelo contrário até com ocorrência menor do que na Mata Atlântica onde eu cresci explorando as matas.
Foi uma sequência de lifers até que às 11:24hs, logo após uma pausa devido a uma chuva “amazônica” que nos fez parar por uma hora, “apareceu” o esperado, o procurado, o eleito o tão desejado chincoã-de-bico-vermelho, maior meta da expedição.
Almoçamos e, quando eu pensava que a passarinhada estava acabando, a Eleonora falou que ainda iriamos visitar outros locais, de forma que não havíamos observado nem a metade das espécies possíveis.
Durante a tarde foi uma sequência de registro de novas espécies, todas festejadas com a maior euforia, sem distinção de “peso”, relevância ou distribuição regional da espécie. Assim registrei lifers de espécies comuns na minha região, como o suiriri, o chupim e o carrapateiro, mas também registrei espécies endêmicas que somente muito tempo depois descobri a sua importância, como o ferreirinho-pintado, o surucuá-violáceo, o arapaçu-meio-barrado, o aracuã-pequeno, dentre outros.
Assim, finalizei o dia com 37 novas espécies registradas, sendo alguns registros não muito bons, a despeito da falta de experiência, do nervosismo e do equipamento inadequado, mas. Todos eles muito lembrados e que representam um marco importante na minha “carreira” de observador de aves.
No dia seguinte viajei muito cedo para Itacoatiara, com a finalidade de visitar meu cliente. A visita ocorreu com a devida celeridade, pois quando se começa a passarinhar, se dorme pensando em passarinho, se acorda pensando em passarinho e se passa o dia pensando em passarinho. Desta forma esperava aproveitar algumas horas do dia para registrar mais algumas espécies.
Mais algumas horas andando pela cidade de Itacoatiara, foram mais quatro novas espécies registradas. Da mesma forma como foi em Manaus, eu não havia feito um estudo ou avaliado as possibilidades de espécies endêmicas (na verdade eu nem tinha noção da distribuição das espécies e muito menos sabia pesquisar as espécies por localidade).
À noite, um m cerveja às margens do Rio Amazonas e estava encerrada a passarinhada. Total 41 espécies (todas os registros publicados na página do Amazonas).
Aprendizados:
- Trace metas para cada expedição – independente de conseguir ou não, elas te darão um “rumo” ou ponto de partida;
- Faça uma lista das espécies que ocorrem na região onde irá passarinhar, filtrando os lifers – Esta ferramenta disponibilizada pelo Wikiaves é de extrema importância para o sucesso da expedição e está constantemente realimentada pelas publicações de todos os observadores, de forma que, a cada dia se torna mais eficaz.
- Busque informações com passarinheiros locais – por mais que pareçam elementares, as informações de passarinheiros locais sempre são muito valiosas;
- Contrate um guia – sem dúvidas, o melhor investimento que se faz ao pensar em qualquer expedição. O guia, especialmente o guia local, vai saber localizar com facilidade as espécies, além de ensinar muito, não somente sobre espécies locais, e aves, como também costumes e cultura local. Além disso, você terá um aproveitamento indiscutivelmente melhor em termos de espécies observadas;
- Registre tudo o que aparecer pela frente – o sabiá que você vê pode ser um caraxué ou o joão-de-barro pode ser um Joãozinho, ou uma subespécie pode, no futuro, ser classificada como nova espécie;











