Minha primeira tatuagem.

Maçarico-do-campo (Bartramia longicauda) – Esteros del Iberá – AR – fev/2023.

Visitantes, vindos do hemisfério norte, durante o inverno boreal, estes admiráveis desbravadores, fazem o percurso desde a tundra do Ártico e se espalham, principalmente, pelo Uruguai, Paraguai e Argentina.

Alguns indivíduos mais arrojados, chegam a percorrer mais 1.600 km abaixo dos pampas argentinos, chegando até o extremo Meridional da América do Sul o que dá um percurso migratório, em linha reta, de 15.000 km (aproximadamente 15 vezes a distância entre Porto Alegre e São Paulo).

Enfileirados nos mourões dos campos e pradarias da Argentina e Uruguai, passam horas, ou quase o dia todo, sob um sol de mais de 40°C, imóveis, apenas observando…

Trocam a perna de apoio de tempos em tempos, como que para descansar uma delas…

O que estariam observando? Estariam analisando as pessoas que passam, apressadas para dar conta de seus afazeres, ou aquelas que viajam em buscam algum significado para a vida?

O que dizer, então daqueles que avistamos nos campos do Uruguai, campos que se perdem de vista e onde se passam dias ou semanas sem que uma vivalma transite pelo local? E pensar nos tempos em que não existiam cercas, onde ficariam eles empoleirados?

Ou, talvez, estando no limiar da cerca, estariam a dizer que as cercas não tem significado algum para eles, já que passam sobre milhares delas todos os anos?

Foi pensando nos maçaricos que deitei na cama sem conseguir dormir, até que passada a terceira vigília, desisti de “pensar com a cabeça do maçarico” e adormeci pensando na grande lição que aprendi com esta fantástica criatura.

Mesmo fazendo esta viagem anual, consegue viver plenamente, sem atropelos, sem correria e ainda sobra a metade do seu tempo para ficar empoleirado nos mourões, o que deve dar significado à sua vida e que somente ele saberia explicar…

(Foi então que decidi tatuar esta imagem em meu corpo – Observação feita durante a fantástica expedição a Esteros del Iberá – AR – Parque Ibera).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *