A paisagem era deslumbrante, abaixo, as profundezas de um vale coberto pelas matas, aos meus pés um caminho construído por camponeses na Idade Média e ao lado um paredão de rochas que apontam para o alto.
Olho para o céu e vejo um bando de majestosas aves voando em círculo.
– Surreal!
Faço alguns registros e procuro identificar a ave. Um “grifo-comum”.
Comum por quê?
Para mim, elas nada tinham de “comum”. Indivíduos fortes, imponentes, únicos.
Vivendo a quatro horas, bem caminhadas, além de onde se pode chegar de carro pelas estradinhas entre paredões e penhascos, distante dos cafés e restaurantes de Madrid ou de Barcelona, numa região de milhares de hectares de matas e montanhas desabitadas.
Longe da Espanha que eu conhecia, sentado em uma pedra, comendo tapas, como faziam nossos avós, estou conhecendo agora uma Europa mais próxima daquela que eles deixaram para vir “fazer a América”.
Uma ave NADA comum me ajuda a conhecer melhor a Espanha, uma Espanha que o turismo comercial não mostra, enfim, as aves estão me ensinando a conhecer melhor o mundo, um mundo “despido”, um mundo real. As aves estão me ensinando a me conectar com a minha essência e comigo mesmo!
(De nossa fantástica expedição pelos Pirineus Espanhóis e Franceses – Orene, Camila e Leonildo – Out/2022 – Camping, bungalows y hotel Viu ).

